O mundo em construção de Adri.n
Durante muito tempo tenho pensado que o homem necessitava apenas da natureza e de nada de suas invenções, isso foi antes de me apaixonar pela arte... “Uma história não é mais que um grão de trigo. É ao ouvinte, ao leitor que compete fazê-lo germinar. Se não germina é questão de falta de ar, de sol, de liberdade, de solidão.” Michel Déon
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Receita para final de Romance
É preciso saber a boa hora
do ponto final
para não perder a história
deixar o além
em seu literal insólito
apagar o almejo
do uma última cena
Para a permanência do doce
na ponta da memória
em cada novo retorno em risos
por Adrins em fins
quinta-feira, 22 de março de 2012
notícias à navegar
na conjugação do pretérito
estado insolucionável
Aquém,
ele em pós gesso
a vértice sempre está
para incorpório
para o além
domingo, 25 de dezembro de 2011
O que conto sobre a natalidade
Olhou-se no espelho a procura dos lábios quase perdidos entre a espessa barba branca.
Três meses sem cortá-la e ele não mais se reconhecia,
quando se encontrava com o espelho.
Seus olhos escuros viam um ser que não pertencia ao seu mundo.
Não refletia sobre a sua imagem
deixara de sentir-se quando a barba começou a crescer.
Não pensava em como os dias seguiriam.
Fugia do nervosismo e da consciência do desconhecido à esta altura de sua vida.
Parou de pensar nos seus afazeres antes da aposentadoria,
não queria ficar alto para falar dos bons tempos,
não desejava mais dar o exemplo do seu brilhantismo de vida.
Passara a levantar cedo, evitar o álcool e o mau humor.
Não se dava conta que desde que sua barba começara a crescer
começara a morrer sua difícil personalidade.
Olhou-se no espelho a procura dos lábios, doloridos, temendo mortes.
Encontrara apenas a barba e o homem que seria nas próximas semanas,
tirara a roupa quente do armário para suar na curta caminhada sobre o sol.
Não usou de consolo as horas que passaria no ar condicionado,
não se deu conta que estava descondicionando-se.
Não pensou em dar conta do trabalho, não ia para um trabalho. – Parto.
O que começara a forma-se nos últimos três meses,
nasceu no instante que se sentara na poltrona vermelha.
Não se sentia o ator que sonhara ser na juventude - perdido no mundo para crescer, sentia-se verdadeiro, vindo do pólo,
sentia seu norte.
Seus olhos não eram mais escuros,
E os lábios desatrofiaram-se da falta do sorriso.
O tempo passou rápido.
o que era filho levou o que ainda é, para ver o pai de noel
(o filho que nada viu, por ser agora o pai)
O pequeno puxou sua barba a procura do sintético,
arrependido, pediu o vô no tempo presente
E ele prometeu -se ao neto para o futuro.
domingo, 13 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Qualquer semelhança não é mera coincidência
Diz-se que totalitarismo e democracia são, ou deveriam ser, regimes opostos, mas a prática tem provado que onde há poder há subjulgação.
Assim, em suas duas obras mais famosas Animal Farm (revolução dos bichos) e 1984, George Orwell, sobre o pano de fundo de regimes totalitários, trata sobretudo do comportamento do homem em sociedade.
Em Animal Farm, para dividir e governar, o porco Napoleon acusa o porco Snowball de querer regalias para si, expulsando e considerado-o uma eterna ameça a “conquista de liberdade”. E nasce, a olhos não vistos, a primeira emenda nas leis que foram estabelecidas em conjunto pelos bichos da fazenda; todos os animais são iguais... Inciso primeiro: “ mas alguns animais são mais iguais que os outros”. Gerando aos animais da fazenda trabalho ate as suas ultimas forças, para a riqueza e a gloria de Napoleon. Quando o argumento falha o porco tem sua guarda de cães ferozes; arancados da colonia ainda filhotes e incapazes de reconhecer a própria mãe. E assim o autor nos mostra como leis conquistadas a luta e sangue por muitos, pode ser reformada para o interesse individual.
Em 1984, a função de Winston Smith é manipular a propaganda a favor do Big Brother, que a tudo controla atravéz das cameras. A propaganda solidificava o Grande Irmão como heroi que tinha sua imagem reverenciada, com frases acaloradas sobre sua generosidade, ao fim de cada dia. Winston tenta fujir a sua rotina morta e é preso pela polícia do pensamento pelo mais perigoso de todos os crimes; amar. Ele se relacionara com uma mulher, passando a sentir, deixa de ser máquina.
Wiston é torturado até ter a “consciência” de que fora manipulado pelo “inimigo”, e após fazer sua declaração de amor ao Grande Irmão, em frente as cameras, com lágrimas de felicidade por ter caido em si, tem o direito de morrer com alguns goles de café. Porque ao Big Brother não basta a morte, é preciso que o “traidor” ame-o.
Orwell, desiludido com um sistema, que prometia uma vida melhor, mas que se corrompia para o interesse de quem tinha o poder da caneta, esprime o habitat natural do animal homem; colônias escravocratas.
Ao nosso descobridor das américas, ciente da lei da propaganda e da igualdade de alguns homens, restou apenas aplicar-nos a última lei, a de “ama-lo”.
Mas não esqueçamos de Thoreau, que nos diz que muitos dos nossos direitos foram conquistados pelos que vieram antes de nós, e é preciso lutar para merece-los.
Texto publicado na folha sc em 27/07/11 e no jornal o correio do povo em 03/08/11
domingo, 29 de maio de 2011
Terça - Feita
Percorrendo
O itinerário de seu corpo
Entre ósculos,
Músculos
Línguas
Suas marcas e pintas
Perdidas sob botões
Listras
Azuis
Cotons
por Adrins e Cci
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Imagens de vários mundos
A literatura também tem suas teorias, muitas ligadas a reclusão. O solitário Meursault em O Estrangeiro de Albert Camus justifica seu crime por culpa do sol; ele tinha uma arma na mão e o sol irritou seus olhos - por isso atirou. O isolado Ródia, de Dostoievski, em Crime e Castigo, matou para se igualar aos grandes líderes: pois o que os fazia melhores era “serem capazes” tirar vidas.
Já Aléksiei de Gorki em A infância, é espancado diversas vezes pelo avô com varas molhadas - para não quebrarem. Até Harry Potter de J.K. Rolling teve o seu quinhão, não conhecendo amor maternal. Foram maltratados, mas cresceram sem “maldade no coração”.
Talvez Silas, de Dan Brown de O código Da Vinci. Seja mais explicável a psicologia, fora maltratado toda a sua infância por ser albino, até que matou seu pai, em um ato violento, mas não planejado.
Todas essas personagens são ligadas por uma característica comum; não são muito sociáveis. Falam pouco e por isso, provavelmente, não procurariam um psicólogo. Mas suas mentes são “estudadas” pelos leitores.
A literatura é imaginação e não explica os comportamentos quase na mesma proporção que os estudos científicos. Portanto, a mente humana continua sendo mistério na ficção e na realidade.
A psicologia arrisca-se em explicar e a literatura aventura-se em detalhar o que passa na mente de pessoas e personagens. E continuamos a dar atenção a estas histórias, não pela precisão, mas por que nos permitem conhecer diversos sentimentos que de outra forma estariam encubados em nossa mente para todo o sempre.
Imagino uma criança, boa aluna, que acorda reclamando à mãe que não quer ir à escola. E a mãe, boa educadora, não atende aos protestos com o melhor dos bons sensos; “você tem de estudar para ter um bom futuro”. E a criança vai à escola no dia em que a escola não lhe oferece futuro nenhum.
Texto publicado no jornal O CORREIO DO POVO em 26/04/11
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Assonâncias
Para cci
Falo de amor com meus olhos
Falo de amor com meus dedos
Digo que te amo mostrando minha língua
Uso palavras de outras
Falo do meu amor
Com os ouvidos
Com as unhas
Com a ponta de meus pés
Porque meu amor é um outro
E não pode ser falado na mesma língua
Porque ele é de outra espécie
Porque não vou domesticá-lo
Quero-o natural
E sem açúcar
Pra sentir o seu verdadeiro sabor
cabelos ao vento


