quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Também porque é seu dia, mas só porque isto lembra que você existe.



“Amigo é a criatura que escuta todas as nossas coisas sem aquela cara que parece estar dizendo – E eu com isso?” Quintana

A vida possui mistérios.
Mistérios que algumas pessoas chamam de coincidência, outras de destino, de carma, de força cósmica e de tantos outros nomes que levam a uma única encruzilhada: a do encontro mágico.
Assim, de repente e não mais que de repente, você depara-se com uma pessoa que lhe parece comum, com uma conversa agradável de fim de tarde ou de semana. E a reencontra, e descobre afinidades, e os momentos de risos e entendimentos prolongam-se. E você redescobre a saudade, o olhar nos olhos e quando da-se conta esta pessoa faz parte da sua vida e da sua alegria.

E você sente o fantástico por ter alguém pra dividir alegrias (ainda que ora ela esteja presente entre os dois corações e ora em apenas um) e descobertas e agradece aos céus, ao cosmo, ao destino ou qualquer outro nome para esta mesma coisa: alguma força maior que permitiu se encontrarem e se conhecerem.

Mas então você percebe que isto tudo não é fantástico, porque a vida começa a ter grandes pequenas magias diárias; conexões inúteis como
terem seus banheiros precisando de concerto no encanamento na mesma semana, outras encantadoras como em um almoço mostrar o que comprou para ouvirem e descobrirem um CD de musica clássica em duas mãos, comprarem livros diferentes que tratam do mesmo assunto, não comentado, na mesma semana... E outras tantas mais impossíveis como lembrar-se de acampamento por conta de um zumbido na orelha sem saber que na mesma noite a outra estava mesmo com zumbidos em um acampamento. E quando descobre estas conectividades lembrar-se das vezes que viu no cinema e achou tão piegas, e você passa a gostar do piegas, porque encontrou uma alma que de algum modo esta ligada a sua. E você esquece das maldades e de sentimentos escuros porque há muitas cores em seus encontros. E você descobre o amor, de alma, que só na amizade pode ser vivenciada plenamente.

E as pessoas perguntam você e esta pessoa tem ligação de sangue ou de outro tipo e justificam que às vezes parecemos um.
E então você pega o ônibus sabendo que não vão se encontra naquele dia, e vê duas amigas verdadeiras se abraçando e se admirando sem vaidade e sorri por saber que conhece este sentimento. E resolve parar em uma loja e quem esta lá? Aquela pessoa, preparando-se para ir aonde você iria, de surpresa, só que resolveu parar nesta mesma loja antes.


Entre tantos outros momentos mágicos tem o deste instante (que esta pessoa especial vai ler antes de ouvir), de me ligar no exato momento que estou escrevendo estas linhas, curiosa para ler, sem saber que estou escrevendo, mas com certeza de algum modo sentindo. Não preciso desvendar este mistério, eu só quero dizer isso ao mundo: eu tenho uma amiga de verdade! Uma amiga maravilhosa, que trás magia a minha vida!
E a ela só quero dizer isto e isso: amo-te.

Viva muito! E vivamos juntas!

Feliz aniversário Suzi!


por Adrins

quase Suzi

Matemática Mínima

Dois e Um caminharam de mãos dadas
Um abriu o peito e ofereceu seu coração
Dois sorriu e prometeu cuidar

Um caminhou ao vento
Reconheceu seu coração jogado ao chão
Não o recolheu

Não era mais de Dois
Não era mais de Um
Não seria mais de ninguém

por Adrins
ninguém

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Para que você não tema o que não existe (Em honra ao Amor Romântico Sheakespeariano, que descanse em paz)



Não interprete este meu sorriso bobo estes meus carinhos em seu rosto este meu desejo de permanecer abraçada como amor. É apenas o meu jeito de ser, a minha forma de reagir as coisas que fazem bem a minha alma. E eu tenho um desejo imenso dentro do peito em dar carinho, carinho na cama e fora dela. Os trabalhos beneficentes falam a minha alma, meu coração é corpo. Mas não se engane, o faço pela alegria do meu coração, contudo o doar nada vale se não for sentido.
Se você não sentir prazer em minhas caricias, não tente disfarçar, eu saberei e me despedirei com o mesmo carinho e atenção em agradecimento ao tempo passado juntos. E voltarei para mim. Não ficarei ao lado do telefone, não deixarei a teve ligada, não comerei sorvete. Apenas pararei de ligar e irei ao teatro, ao mundo da fantasia ou qualquer outro lugar que me faça bem. Porque eu não acredito em príncipes. As estórias de amor foram criadas para convencer as moças a casar, cuidar da casa e dos filhos esquecendo-se de si mesmas. Infelizmente minha mãe não conhecia desta historias e minha professora me contou muito tarde, não puderam mais me convencer. E depois houveram aqueles que me falaram de amor olhando em meus olhos, tentando não piscar, e assim que as palavras saiam seus olhos desviavam para a janela(e eu nada disse), o mundo é vasto e os desejos inconstantes. Carpinejar é lindo, mas é arte e a vida pouco tem da bela arte.
Mas não se culpe, ninguém é capaz de mandar nos sentimentos, e você está no seu direito de desejar e des-desejar, estamos vivos e somos humanos. E eu também estou longe de ser constante. Não se culpe se depois de uma semana perder o desejo de me ver, não invente desculpas, simplesmente não ligue. Continuarei a dormir a noite e não chorarei.
Não tema se desejar estar comigo mais uma vez, ou outras. Eu sentirei enquanto estiver comigo e continuarei aparecendo enquanto apreciar minha companhia e meu jeito de ser. Não tenha medo de dizer o que precisar ou desejar, não se intimide em pedir minha ajuda ou meu sorriso para um dia nublado, meu coração se sentirá feliz em participar um pouco de seu mundo (porque só se participa dele nas tempestades, nos dias de sol somos apenas hospedes) e nunca pena. Não procure meus defeitos, eu não os mudarei, não esconda os seus, eu os respeitarei. Não tenha medo de dizer que hoje prefere a solidão a mim. Eu ficarei escrevendo e não me importarei. Mas seu eu ver isso em seus olhos inventarei uma desculpa qualquer e irei embora.
Não tenha medo se desejar me conhecer hoje e amanhã só pensar em letras ou músicas e não tema que o contrário aconteça, apenas vivamos nos sonetos de Vinicius, que são os mais puros e os mais verdadeiros quando se trata do sentimento de amar.

E por fim, não tema se depois de um tempo eu voltar a querer lhe falar, não terá segundas intenções, apenas estarei com saudades de nossas conversas e sorrisos e da amizade, que é um dos poucos amores que eu acredito.

por Adrins
amável
afável
...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Continuo guardando o que não me pertence

~~Guardo o que não me pertence ~~

Quando vir buscar
estarei lá
as três da manhã,
quinta-feira,
sob a chuva....

Na ausência
continuará sendo seu
até pés o guiarem,
olhos se fecharem
e eu deixar de guardar...

~~Outro~~

Diz a lenda que pertence a um coração
marcado pela bondade
reconhecível pelas cicatrizes de batalhas
e que terá forças para tirá-lo da pedra.


por Adrins
guardiã (eterna?!)

domingo, 25 de outubro de 2009

Minha vida não é uma opera

O fantasma do passado instalou-se em frente a minha casa. Estive correndo demais e não o percebi por semanas, meses... Somente hoje, quando parei para respirar o vento é que dei-me conta de sua presença - branco, translúcido - e compreendi que tenho passado por ele diversas vezes. Estive correndo muito e olhei, mas não vi. Enfim olhei o que poderia ter sido. Não pensei em pureza ou paz, vi apenas um fantasma preso ao passado.
Separados pelo espaço-tempo ele não pôde mais me tocar.
Ele não pode mais tocar o meu tempo.


por Adrins
no espaço-tempo

Meios do nada

.
Esse meio-desejo que não é capaz de fazer chorar e que não provoca sorrisos.

Esta estação do nada, de não olhar, não sentir, não decidir; de não vida.

Este muro construído para os pés não tocarem nenhum dos chãos.

Esse meio que é menos que nada.


por Adrins
(não) meio...

sábado, 10 de outubro de 2009

Sobre livros, cães e mais alguns em minha vida...



Memorial

Recordo do primeiro dia, a rua cheia de mães e crianças indo na mesma direção; a escola. E também recordo de um cachorro acompanhando uma das crianças, o meu ficara em casa. O primeiro dia das letras acontecera antes, eu desenhava cachorros e minha mãe ensinava a desenhar vogais, porque não houvera vaga para mim no jardim no ano anterior. Lembro da professora do pré, que não devolveu a guirlanda de natal de minha mãe, emprestada para decorar a sala. Lembro da dificuldade dos colegas em desenhar o nome e os números, eu já tinha aprendido, e da dificuldade da professora em escrever meu sobrenome – minha mãe teve de corrigir a pasta.
Na primeira série aprendi letra cursiva a duras penas, horas escrevendo em casa para diminuir a letra sob os olhos de minha mãe, para enfim poder brincar com o cachorro, e aprendi a escrever seu nome: Moleque. Minha madrinha comprava livros antes de eu saber ler, histórias para pintar. Depois narrativas longas que eu gostava de ouvir aos fins das tardes de domingo, nunca para dormir.
Na segunda série, em nova escola, meus colegas aprendiam letra cursiva, eu precisava aprender letra de forma. Horas em casa copiando letras de livros, do professor de catequese... Não lembro de minha mãe neste processo, lembro apenas do meu desejo.
Desejava decifrar as folhas da missa (as da escola eu conseguia, todas letras que eu conhecia), me encantava ver as pessoas lendo juntas, consegui!
Minha madrinha trazia livros, eu lia. Minha madrinha veio morar conosco, me encantava vê-la lendo livros grossos por horas a fim. Passei a ser aluna preferida das peças escolares no fim das séries inicias (em nova escola novamente), não tinha dificuldade em decorar folhas de textos, as minhas falas e as dos colegas.
Nas séries finais (mais uma escola nova) meu cachorro morreu, esqueci as duas últimas estrofes do texto do geogral (versos não ditos que lembro até hoje) e descobri o Vale Verde de Urda Krüger nas aulas de leitura. Encantou-me ler sobre o moro Jaraguá. Minha madrinha disse que não era daqui, SP também tem Jaraguá, era incompreensível para ela histórias de tão perto. Eu continuei encantada e o li em algumas aulas, até a minha professora o tirar da caixa da coleção Vaga-lume.
Alguns anos depois descobri quem era a autora e o que era a história, ainda não terminei de lê-lo, ainda desejo lê-lo, e como foi mágico descobrir que se escreve aqui e daqui. Compreendi que minha madrinha não era leitora apaixonada, somente apreciava romances de banca e livros de auto-ajuda. Mas ela compreendeu que eu era leitora alguns anos antes e levou-me a biblioteca pública, por causa de Urda. A menina tímida não pediu o livro, foi procurá-lo, existiam muitos e no não achar preferiu pegar outro, gozaram dela pelo livro que escolhi: Bruxa Madrinha. Homenagem! Disseram. Não deixou de ser. Madrinha-bruxa-boa que abriu o mundo dos livros com suas pequenas poções (em pequenas porções) que aprendi e passei além. Bruxa Madrinha falava de magia e de realidade social, uma bruxa que vigia uma menina de favela (numa época que ainda não era moda) e tenta intervir em suas dificuldades porque queria uma afilhada para ocupar-se. Parei de ler sobre cachorros e histórias de amor, descobri os livros “pensantes” livros críticos que me faziam saltar o coração. Aprendi muitas línguas de muitos livros e não conseguimos mais conversar sobre eles; já li seus romances com prazer, ela continua lendo. Minha mãe não me deixou ter outro cão, adotei gatos, pretos!
No ensino médio tentei escrever, tinha problemas com poesia, passei a recebê-la quase todos os dias antes da universidade e quase todas as semanas durante. Consegui uma chinchila, meus gatos morreram, meu filho nasceu e fiz as pazes com os poemas de minha vida. E deixei-os ir, descobri minha própria poesia e com ela minhas letras.
Conheci escritores do meu chão, e a literatura infantil. Saboreio ler e criar histórias com e para meu filho. Encontrei amigos de escrita e de leitura para o meu dia-a-dia sem hora ou lugar (nas madrugadas de descanso, a luz da lua, debaixo de cobertas; nos dias de sol sobre o gramado, debaixo de árvores; nos intervalos do dia no msn, orkut, telefone...) para ler Drummond, Carpinejar, Neruda, Clarice, Manoel de Barros, Galeano, Cortazar, Bukowski e quem mais vir nos visitar. Para falar de e com histórias e criar histórias; nossos próprios escritos, na ficção e na vida. “Dividimentos” tímidos mais confiantes, de textos nascidos em nossos corações que ainda precisam ser regados.
Descobri uma irmã de letras, sorrisos e aprendizados compartilhados dia a dia ainda que seja preciso ler ao telefone de madrugada. Pequenas visitas de meu filho nestas descobertas, textos nascidos pela existência dele.Textos lidos na escola, sementes de possibilidades encantadoras ao desafiá-los a encontrar suas próprias letras e poesias.
Vivo no mundo dos livros entre o real e a ficção, já não os separo e nem preciso. Descobri que posso escrever, descobri amigos que escrevem, instigo alunos a escrever, e um dia, talvez, meu filho. Respiro prosas e versos num mundo imenso/intenso onde muitos tem o mesmo respirar, cada qual a sua maneira. Adotei um vira-lata para meu filho...


por Adrins com livros e cães

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

In son ia


Ele falou de sonhos

e agora não consigo mais dormir

por Adrins ...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Para Lenini Casemiro, pelo seu dia, seu mês e sua existência...








“A maternidade não repousa no sobrenome, nos traços, no molde genético;
é um escapulário debaixo da camisa que não se vê. Uma pitanga,
em que o caroço é quase do tamanho da fruta”

Carpinejar

O poeta-filho falou-me da força da mãe com tempo para tudo, com tantas coisas e tão amorosa aos filhos. O poeta-filho não entende que ter um filho não é sacrificar ou dividir, mas somar ele em sua vida.

Ter um filho significa crescer no mais profundo valor desta palavra: crescer por dentro. Melhorar todas aquelas falhas suas que ficavam nas promessas de fim de ano. Porque não tem mais desculpas. E crescer sem faz-de-conta porque seu filho está dentro do ventre e ouve e sente o mesmo que você. É aprender sem preguiça, porque o tempo de ensinar já esta aí. E você cresce e passa a gostar de tantas pequenas coisas que não gostava ou não admirava mais. E fica imaginando como é olhar o mundo pela primeira vez, tenta olhar o mundo pelos olhos dele, sentir o mundo como ele sente.
E você volta a ser criança. E de repente a casa, o trabalho, os amigos ganham outra cor e você arruma tempo para fazer tudo (mesmo sem dormir, porque descobre que pode dormir muito menos do que pensava que poderia), e faz tudo com mais alegria, porque ele existe, e cada percepção sua, vem carregada do sentir dele, ainda que no faz-de-conta. E você o vê repetindo sua fala, seus gestos, e você repete seus olhares, seus anseios, você nunca mais estará só, porque sua vida está carregada da existência dele.
Ter um filho é crescer por mais duas vezes, da primeira você cresceu com seus pais, da segunda para seu(s) filho(s) e da terceira com seu(s) filho(s).
Ter um filho é crescer por amor...


por Adrins (re) crescendo


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Do que se esquece do mundo quando se prova

Para E.L.E.
porque o beijo tem sabor de café

Quente
Extra-forte
aroma inconfundível
ao aproximar os lábios
o corpo aquece
no aroma
arrepia e extremece
os dedos aproximando
a vontade de provar
toque e fervor
o gosto do sal na ponta da língua
o calor-fogo no corpo até a alma
o líquido quente dentro do corpo
o saborear da prova só existe uma vez
mas o vício pede para ser repetido até a exaustão
Algumas bebidas são mais doces quando saboreadas com sal
e suspiros
talvez... creme!
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por Adrins
café! café! café!